discernimento, nenhum; aplicabilidade total!

vanessa
astronomia
poesia
rimbaud
glam
jack
baudelaire
futebol
um castelo
uma menininha
ele tem olhos de estrelas


Menina poetisa que brinca, sonha no correr da brisa. Pula e se machuca, mas levanta e sempre vai à luta.

Sonhos de cristal se partem em mil pedaços, ela se corta em seus pontiagudos estilhaços. Furou o dedinho, coitada, num delírio profundo quase eternamente acordada.

Menina poetisa que chora, reclama sozinha, caída na lama. Onde ela andará agora? À espera de sua estrela no despertar da aurora.

Menina, poetisa, levanta!!! Acorda, que o mundo é teu, me encanta... E com teu veneno, teus olhos calados e sorriso incerto, procure pela felicidade, pois ela se encontra por perto.


Links

tânia
butterfly



eu sou o olho necrosado do jack, e coço ele com as minhas lâminas


o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraída...








segunda-feira, 21 de novembro de 2005

O foda é que estou levando a vida muito à sério... Não tenho admitido certas brincaderias, que antes me eram quase fantásticas... Não tenho suportado certos humores de algumas pessoas 'infantis' demais. Eu estou virando uma chata, com jeito de velha.
E preciso fazer algo de urgente pra reverter essa situação.

No mais, meu uniforme é ridículo e ainda é segunda-feira. (a gente trabalha a vida todinha, mas nunca se acostuma com a segunda-feira!)

Recomendo:

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sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Caramba!
Eu não consigo mais parar de ouvir "Music when the lights go on...", do The Libertines...
Esses meus vícios musicais raramente contagiam as outras pessoas (a não ser o Buí), que insistem em grifar "meu péssimo gosto musical".
Hunf!

Não é só porque todo mundo ama Beatles, que eu tenho que amar também! (éca!)

Entre meus favoritos estão Placebo, The Strokes, Velvet Revolver (eese ninguém conhece), Pink Floyd (of course!) e o mais lindo dos lindos amores do mundo: White Stripes! (aaaahhhh, aquele Jack...)

Mas por hoje, apenas a foteeeeenha do Libertines mesmo. Pena que a banda acabou.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2005

não sei se vou sobreviver a essa segunda-feira sem antes morrer de agonia... estou passando por uma leve crise conjugal, e dói saber que a culpa é minha, por manter esse véu de frieza em cima do meu rosto. ele não merece e não sei porque fiz isso. estúpida!

a yasmin vem passar as férias conosco, e é hora de inserir aos poucos algumas responsabilidades nela, para estar preparada quando chegar o dia de vir morar aqui. medo.

ainda são 7:10 da madrugada e tudo o que vejo são paredes beges e papéis de escritório, além das caras dessas pessoas tão ansiosas pelo fim do dia, que enfim vai ter cheiro de feriado. hoje não vai ser um bom dia.

estou me martirizando e surrando aos poucos, eu mereço (ou não), mas o fato é que é foda ter certas responsas, quando tudo o que você mais quer é deixar a vida te levar...

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

É complicado não saber se estou sendo injusta, exagerada, dramática... Uma pessoa mais do que querida mentiu pra mim, e ela realmente não devia ter feito isso. Doeu; me senti uma idiota. Mas isso é tudo, prefiro guardar meus lamentos pra nossa conversa de mais tarde.

E sabe o que mais? Vou falar tudo o que está entalado, e é muito provável que eu chore, porque eu sou uma imbecil que sempre chora, sempre está considerando pessoas que não merecem; sempre demoro tanto pra confiar em alguém e quando isso acontece, a pessoa filha da puta esconde coisas que me são importantes!

Mas sexta-feira foi lindo, mudando drasticamente o assunto... Cheguei do serviço e encontrei meu quarto coberto com pequeninos pedaços vermelhos de amor + o presente que eu queria. Aaahh, essas coisas compensam todo o resto...

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

Dois dias após a ressaca moral e a diarréia mental...
Dois dias após jogar os comprimidos todos na privada...
Dois dias após perceber o quão especial eu sou para algumas pessoas... E sabe do que mais, não é drama não, mas são poucas as que gostam de mim, mas as que gostam, gostam de verdade. É bom demais saber isso. É bom saber que em três meses estarei deixando PiraCity e as coisas que me machucaram; levarei apenas as cicatrizes e os amores. É bom saber que arranjei 3 empregos com muita facilidade... É bom sentir, perceber o sangue quente correndo em minhas veias. Inspirar, ouvir coisas apaixonantes numa ligação inesperada em plena madrugada. É bom... É muito bom viver as minhas dores e as minhas delícias, saibam disso.

Por outro lado, coisas estúpidas acontecem facilmente na minha vida; uma delas é que a minha lista de resoluções (não para 2005, mas para a máxima urgência!) foi esquecida em cima de minha mesa, e a pessoa menos indicada a lê-la acabou o fazendo: o Sr. Mattioli. Eis a lista:
1. trocar de emprego. 2. mudar de casa. 3. mandar o Mattioli se ferrar no meu último dia nesse trampo. 4. abolir os "caralhos, infernos e filhas da puta" do meu vocabulário. 5. mais tempo para mim. 6. sorrir mais. 7. voltar pra capoeira. 8. diminuir a vodka. 9. concluir o curso de fotografia.

Pelo menos agora não preciso mandar "ninguém" se ferrar, já que o mesmo sabe do meu desejo. Nhé.

Um bom fim de semana para todos nós, em especial para alguns e nós.

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Na verdade eu sou uma mulher normal, como uma ligeira síndrome de Peter Pan, porém normal. E o fato é que tenho sofrido certas pressões e me sinto incomodada com isso. Pôxa, se eu escrevo algumas coisas que pessoas legais gostam; pessoas que eu sinto realmente feliz por curtirem o que eu faço; mas também tenho uma série de defeitos como qualquer outra. E nem sempre os que estão mais próximos compreendem isso. Aí, eu tento forçar uma mudança; como se eu fosse algo elástico em que, de um lado puxa a família, do outro os meus desejos, de um outro os meus medos, e, de um outro ainda, as minhas frustrações. E, cara, isso não é legal.


Tenho sentido minha falta, sabe. Como se não fosse eu mesma, e a que tomou o meu lugar não é nada bacana. Ela explode, se sente mal humorada por tentar ser quem os outros pensam que ela é. Está impaciente, implicante, intolerante e isso não é nada bom.

Por isso eu surto. Faço coisas estúpidas, perco diários que me eram importantes, fico me diminuindo, desconfiando, jogo coisas antigas na privada... E, definitivamente, não vai ser mais assim. Não quero mais ter a sensação de que estou flutuando sobre um rio de pedras. Não mesmo.



PEIXINHO NO AQUARIO
Eu sou uma criança grande que brinca,
interpreta num palco escuro.
Insensata, mágica, trágica, quase sempre
em cima do muro...
O mundo é tão solitário, e eu tropeço
no chão escuro,
Um peixinho no aquário, que vive a se
bater pelo canto duro.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Esse post vai ser meio comprido...

Pela primeira vez em meses consegui dormir tranqüilamente sem a ingestão de qualquer estimulante do sono. Um neurologista diz que é estresse, outro diz que eu sofro de temor noturno e um outro diz que é depressão. Receitaram-me dezenas de cápsulas e revestimentos caríssimos que devem ser ingeridos pela manhã e a noite. Comprei tudo e em questão de três semanas já os jogava privada abaixo. Se for pra me drogar, então vou ouvir uma Ivete Sangalo, mesmo. Nhá.

A está tristinha, mas gostaria que ela soubesse que é uma das pessoas mais imprescindíveis na minha vida. Não me imagino "distante" dela. Não me imagino sem nossas conversas e seus conselhos. O mesmo digo do D'artagnan, que se tornou o abraço mais sincero ao qual me viciei nos últimos meses.

E ontem aconteceu um dos fatos mais inusitados da minha vida; trágicos demais para serem reais. Perdi 2 dos meus vários diários em situações absolutamente surreais; estou órfã de pensamentos, sofri, chorei... Um homem foi extremamente ríspido comigo por motivos fúteis e em compensação, estou mais e mais impaciente e intolerante com minha genitora. Me sinto triste com isso.

No mais, uma poesia de mim para eu mesma. Porque não sei como encerrar e estou sem metáforas.
ASAS RASGADAS
pra falar de amor, isso me custa tanto
ainda que viaje no teu olhar de encanto
e sôfrega, te entregue o beijo proibido
na dúvida se você estará sempre comigo


pra falar de paixão, isso me dói um bocado
então, acabo por deixar minhas rimas de lado
e me torno novamente um alguém sem disciplina
um anjo de asas rasgadas, num corpo de menina.

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Seria mais fácil se aqui redigisse uma mente sã, não tão conturbada, mas o fato é que, estando eu tecnicamente caótica e quase-perfeitamente estável (hein?), não sei sobre o que falar. Shit!

Ontem bati meu próprio recorde na quantidade de filmes vistos seqüencialmente (7), e os que mais me chamam atenção são os ditos 'alternativos'. Coisas como 21 gramas, efeito borboleta, boys don't cry, aos 13, laranja mecânica, chrys f, platoon, me fazem ser feliz na ociosidade dos domingos em que meu doce namorado está prestando vestibular, e eu me encontro sozinha com latas de cerveja e coisas engordantes. Nhá.

Pra quem leu o post de 12 de janeiro, ainda não tive chance de levar o tal papo sobre órgãos sexuais (argh) com a minha pequena. Estivemos ocupadas. Será em breve. Desejem-me sorte. E que eu saia viva.

Isso é um saco, você fala, fala, fala e quando vai conferir, não disse absolutamente coisa nenhuma!

Sem falar no maldito ex-marido dessa que cá escreve, um eterno bastardo cretino (que a yasmin não me ouça!), que vive a atormentar a minha imperceptível existência.
Contudo, porém, todavia, porra nenhuma, de forma qualquer... Um dia ainda livro-me de uma vez por toda dele. (gargalhada fatal)

Vou embora. Nhá.

>>> em letras garrafais pra chamar a atenção <<<
SANDRO (JUIZ DE FORA), ENTRA EM CONTATO COMIGO POR ICQ (214-614-174) OU MSN!

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

Me assusta tanto não haver mais histórias pra te ouvir contar... E quando, ao cair da noite, o tempo não passa e só me resta chorar.
Lágrimas quentes que escorrem em meu rosto, inevitavelmente me ponho a soluçar... Na tristeza e na cruel certeza que você não vai mais me amar.
- 'fragmento de poesia', by v.a.n.e.s.s.i.n.h.a.

Era bom aquele tempo, em que vaga-lumes e pirilampos viviam a brincar em minha volta; mas eu era ingênua demais e acabei por afugentá-los. Alguns dizem que o mundo é um palco e nós somos os artistas, mas hoje sinto como se ele fosse um picadeiro, e eu, a palhaça.
Meu barquinho de papel se desmanchou na água. Meu algodão doce derreteu. Saturno já não tem mais os anéis. E tudo o que eu acreditei um dia, já não faz parte do presente.
Pessoas como eu sofrem de um romantismo melancólico e incurável, ao mesmo tempo doce e colorido. Como certos venenos.
Eu fiquei na ponta dos pés, estiquei os dedos e toquei um astro, mas a luz do sol era tão branda que ele acabou por me congelar.
É preciso esperar a hora certa, estar atenta, para agarrar no rabo de um foguete de cristal, capaz de reacender toda a esperança que eu perdi um dia.
Das páginas do meu diário, dezembro de 2002.

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

Mães sofrem... E eu tenho sofrido muito cedo, por assim dizer.
Minha filha tem 7 anos, praticamente um feto. E faz perguntas impertinentes, como por exemplo, "o que é fazer tchaca-tchaca?" e "por que a periquita das meninas é diferente da periquita dos meninos?"
Minhas explicações simplórias de mãe que foi pega de surpresa não a convencem, e fico imaginando se já estaria próxima a hora da tão temida e honesta conversa.
Me conhecendo bem, vou gaguejar um pouco no começo, principalmente por conta de sua curiosidade. Ela não tem travas na língua. Um gênio difícil, que parece achar graça em encurralar as pessoas com seu raciocínio ligeiro. Seria mais fácil educar um guri?? Alguém poderia me ajudar???


E só pra refletir:
Existia um velho índio, que nas noites quentes costumava reunir os mais jovens para juntos apreciarem la bella luna. Ele contava histórias bonitas e tristes, e ensinava com sabedoria a arte de viver.
Um dia ele comentou com humildade que dentro dele moravam dois cães. Um era feroz e cruel, enquanto o outro era doce e carinhoso. Eles viviam em constante briga, mas que certamente não duraria para sempre. "Qual deles vai ganhar?" - indagavam os jovens???
E a resposta era lógica: Aquele que eu alimentar.

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

É uma sensação estranha. Talvez eu tenha perdido o jeito. Talvez eu nunca tenha tido 'jeito' realmente.
Esses trinta dias, aaahhh... Plausíveis, por assim dizer. Várias cidades diferentes. Várias cidades já conhecidas. Entre tantos km percorridos, a Selva de Pedras é a que menos me encantou mais uma vez. Cidade feia, suja, fedida. Sempre que lá estou, me lembro com amor de PiraCity, tão limpa e acolhedora.

Pude trabalhar na formação do meu livro, que no fim das contas, ainda não me decidi se será assim ou assado. Foram trinta dias de reflexão. Reanimei velhos hábitos, incitei antigos projetos.

Fiz 24 anos com muita classe. Meu doce namorado, sempre ele... O que seria de mim??? (suspiro)

Há coisas demais a serem escritas, mas eu perdi as palavras; minha mesa está um caos, minha vida está linda, meus sonhos estão azuis...
Mudanças, mudanças sempre, sou a eterna metamorfose ambulante!

Calma aê. Desse jeito ninguém entende aonde eu quero chegar, mas acho que me seria inútil tentar expor dessa maneira... Cada coisa à sua hora. Com o passar dos dias e dos posts, creio que vocês irão notar.

É que me aconteceu algo de maravilhoso.

Só, por hoje...

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

É amanhã... Meu último dia de trampo durante esse ano. As tão sonhadas férias chegaram finalmente, coloridas, leves, apaixonantes. Tenho a impressão de que o mundo todo se sente alegre por mim. Apenas impressão, que seja, mas isso de fato me deixa animada.

Durante esses 30 dias, pretendo me dedicar um pouco na construção 'moral' do meu pseudo-livro ainda sem título, sem cor, sem conteúdo, sem nada. Um dia ele sai, ah, sai.

Estive refletindo sobre as graças e desgraças que me ocorreram em 2004, o maldito ano bissexto (eles têm um Q de tragédia), e pude constatar com pesar que me tornei um pouco mais exigente, pra não dizer intolerante. E logo eu, que odeio a intolerância... Mas admito que tenho estado impaciente, principalmente com a minha mãe e suas manias quase-irritantes. Mas, quem é que não as tem?

Acho que ainda não me sinto pronta para falar disso, então vou-me agora, deixando uma poesia meio medíocre e o desejo ardente de que sintam minha falta. A gente se vê em meados de 13 de janeiro. Sinto o doce cheiro da liberdade (mesmo que provisória, ainda assim liberdade!!)


Cadê teu sorriso, menino,
tão verdadeiro outrora;
que no chegar da aurora
mexia tanto comigo...


Onde foi a tua franqueza?
E toda a boa mistura,
fonte da água mais pura
e raio de rara beleza...


Cadê, menino, a saudade?
As coisas que a gente fazia,
promessas que você cumpria;
e o facho de felicidade???


Eu ainda espero você...
Não sei quanto tempo mais.
Pra ter de volta minha paz,
só mesmo se eu te esquecer.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

Ácido Ascórbico... Boca seca... Gripe forte... Nhé.

Esses dias de glória se aproximam tal uma tempestade de verão, terei, enfim, paz. Trinta dias de férias, contando a partir de segunda-feira próxima.
Será um ótimo tempo para colocar as correspondências em dia, curtir minha pequena menina e dar longos passeios abençoados pelo pôr-do-sol maravilhoso que se faz aqui, nas redondezas do castelo.

Minha Glass House iluminada com o sorriso do meu pequeno príncipe... Vamos atarracar no rabo do cometa e descobrir planetas distantes. Sou sua rosa mal criada e espinhosa, que ele cuidadosamente rega e escuta... Coloca o pára-vento para eu não adoecer...
E mesmo havendo milhões de rosas pelo mundo, eu sou única, porque o tenho e ele me tem.

Juntos voamos pela atmosfera azulada, assoviando velhas canções que não se fazem mais e nos enroscando no lume das estrelas. Sou eu quem as acende. Porque sou la bella rosé do pequeno principezinho.

E às vezes é preciso que eu suporte duas ou três lagartas, se quiser ver as borboletas. Porque a vida é bem dessa maneira. Trágica, poética, utópica, linda...


Docemente inspirada pela arte de viver, de amar, de sonhar e de Antoine de Saint-Exupéry.

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

"...Why does my heart cry? feelings I can't fight. You're free to leave me, but just don't deceive and please, believe me when I say 'I love you'... ( Roxane - Moulin Rouge )


É um exercício muito simples. Música leve, ao fundo. Deitada numa posição confortável, como num divã; ou mesmo sentada no sofá com os pés na mesinha de centro. Solidão.
Fecho os olhos e rebobino a fita. Fato a fato, coisas pequenas, perfeitas, perfumadas, picantes... Adoro coisas com a letra 'p'.
Analiso tudo o que me foi relevante ou não. As pequenas brigas, as grandes mágoas, explosões trágicas, sentimentos guardados, gente que veio e gente que foi. Muitas vezes pauso, reflito, e novamente dou o play. Certas coisas ainda não merecem ser vistas, então adianto um pouco e pulo certas partes. Ainda não estou pronta para pensar nisso. Mais pra frente, quem sabe...
Sou eu quem faz o meu tempo.


Ah, sim, esse assunto vai ser sempre dito e repetido: deus, pra mim, é a energia, a gravidade, a expansão, a física, a força que gerou os astros, as galáxias e move isso tudo adiante. É quântico, é físico, é matemático.
Mas duvido seriamente que 'ele' interfira diretamente na vida e sentimentos dos seres.
Gente, essa é a minha opinião. Não vou virar a cara com pessoas alguma que discordar!
Mas também vou continuar mandando FODER-SE todo aquele que usar o msn pra me ofender.

Coisas que não se discute: política, futebol e fé (ou a falta dela.)


Ribeirão Preto (SP), me aguarde esse final de semana.

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

Encosto nas paredes azuis do meu quarto, mais uma noite. Três e meia da manhã. Insônia. Mais café. Parei de fumar, porra, há tanto tempo que até me dói.
Olho os pôsteres de tantos que chego a me perder. O único mortal (nem tão mortal assim) a quem venero incondicionalmente é Robert Smith, que isso seja registrado aqui. E nem tenho fotos dele, que lástima.

Rabisco no meu caderno, com meus personagens eu brinco de ser deus (com minúscula mesmo). Dou-lhes vida, sentimentos, crio situações e os mato quando me são descartáveis. O problema é que eles nunca são.

Alguém me pediu pra ser mais óbvia nisso aqui, então tá; não serei. Esse é o ponto: nada na minha vida me parece tão óbvio. Que bom.

Olha só a mariposa tonta, embriagada pela luz da lâmpada. Por que é que somos assim? Ficamos, muitas vezes, girando em torno de quem brilha mais do que a gente, e acabamos por ficar tão cegos a ponto de nos apagar. Shit.

Sabe, no fundo disso tudo, Yasmin, Bruno, ex-marido, capoeira, irmãs mais novas, ser exemplo, cursos, um trampo de merda, noites em claro, Nietzsche, Pink Floyd, pai suicida, gente que vem, gente que vai... No fundo dessa coisa toda, me sinto plenamente satisfeita, mesmo vivendo em extremos: Ou é excelente, ou é terrível.

Puxa, mais uma vez não sei terminar esse texto que comecei. Talvez seria mais fácil se fosse poesia ou conto. Mas quando se trata de nós mesmos, a tendência é complicar.

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terça-feira, 30 de novembro de 2004

Byron, Baudelaire, Goethe... Inspirem-me!!!

MAIS UMA CARTA
Papai Noel, leia minha cartinha com bastante atenção. O que peço não é simples, custa caro, é algo raro e quero de coração.
Sonho com esse presente desde há uns anos atrás, ou meses, pois o que eu tinha, já não tenho mais.

Não foi por falta de zelo, mas perdi parte da minha alegria e foi da noite para o dia; agora ouça meu apelo:
Durante o ano todo fui uma menina boazinha, cumpri minhas obrigações, dei meu melhor sorriso e cantei belas canções... Mas a vida foi tão má comigo, levou para a morte o meu único amigo e hoje me sinto mais só. Peço que tenha piedade, Noel, tenha um pingo de dó...

Essa menina meio confusa só quer o que lhe é de direito, um novo amigo do peito que traga na alma a bondade e parte da minha felicidade; alguém com quem eu possa chorar.
Alguém com quem eu seja eu mesma, e que me devolva a beleza de uma amizade única, um amigo de verdade. Alguém com quem eu me sinta à vontade.

Mas se isso é pedir muito, me dê ao menos saudades boas, daquelas que têm cheiro de chuva e leve o sofrimento pra longe dessa devota sua.

Papai Noel, espero que você exista.



Buí, obrigada mais uma vez por tudo, você é bem mais que um doce namorado. Sem sua força e seu sorriso, não sei como eu estaria hoje.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Prego os olhos no espelho na esperança de encontrá-lo ao fundo, atrás das retinas. Ele me instiga tanto.
Isso sem falar nos constantes pesadelos. Sonho que estou me afogando. Eu sempre morro afogada.
Sonho que corto os pulsos, desde que parei de furar meu corpo com agulhas. Imagino que cortar os pulsos não seja legal; vem a tontura e os vômitos. Já as agulhas me fazem sentir mais viva.
Sonho com os olhos de um homem, mas eu nunca vejo seu rosto. Ele me pega pela mão e me leva a caminhar. Andamos muito. Então, ele me beija a testa, diz que me ama, rasga minha blusa e me dá várias facadas. No exato momento em que vou ver seu rosto, puf, acordo.
Sonho que voltei a morar com meu ex-marido, tento fugir, mas ele tranca todas as portas.
Sonho com Paris, Notre Dame pra ser mais exata. Estou perto das estátuas de gárgulas; e de repente, me jogo. A queda é tranqüila, mas o chão nunca vem.
Sonho em preto e branco... Engraçado, no próprio sonho eu estranho isso tudo. Palhaços, velhos, pessoas disformes. Eles riem de mim.
Mas lá em cima eu estava falando dele... Aaaahhh, como é difícil falar de alguém assim, tão excêntrico. Não, ele não é meu doce namorado. Ele é só um amigo imaginário, a quem chamo carinhosamente de Jê.
As pessoas que convivem comigo já me flagraram tantas vezes gesticulando, falando alto e sozinha. Dando risada das piadas e comentários que apenas eu ouço.
Conheço o Jê desde que me conheço por gente. O criei pra suprir o meu dom de manter as pessoas distantes, e desde então nunca mais me livrei dele. Nunca vi seu rosto, mas imagino que tenha uma cicatriz na testa. Já seu psicológico é mais complicado. Difícil defini-lo, e mais complicado ainda é senti-lo. Foi ele me disse que só os imbecis são felizes, mas eu discordei. Hunf.
Acho engraçado que nesse calor ele ainda use roupas tão pesadas, e ele me responde com uma voz que quase não se ouve, forçando um sotaque que não existe, que "quando você sentir a neve, ela nunca mais sairá dos seus ossos". E eu rio...
Chega por hoje... Talvez eu volte a falar dele, ou não.
Tudo depende do meu estado de espírito.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2004

Apenas um link para refrescar os olhos dessa semana cheia de momentos cretinos:
cansei de ser sexy

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quarta-feira, 24 de novembro de 2004

80's
Amor incondicional
Astrofísica
Batom preto
Cabelos vermelhos
Cartas
Casei de ser sexy
Cemitério
Cigarro de palha
Coturnos
Crucifixo
Declarações
Desconexia
Esmalte preto
Espíritos
Fogueira
Fotografia
Jeans surrado
Johnny Depp
Lápis nos olhos
Lua
Natura Homem
Números ímpares
Olhos azuis
Paris e Inglaterra
Planos
Poesia
Por do sol
Pular de um prédio
Robert Smith
Rock clássico
Sexta feira
Sonhos
Telefonemas inesperados
Teoria da conspiração
Thora Birtch
Um doce namorado
Uma linda menininha
Vodca
Wolverine



hoje ainda é quarta feira e me sinto no inferno...

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sexta-feira, 19 de novembro de 2004

Mudanças no trampo me levam a ter menos tempo, pois agora v.a.n.e.s.s.i.n.h.a. tem duas funções. Éca. Mas prometo visitá-los na segunda feira.


DOCE NOVEMBRO
Eu não planejava encontrar nada disso,
esse mundo assim, cativante.
Não almejava assumir compromisso
nem ter o coração palpitante;
ousei te olhar além das pupilas
e encontrei o desarme cruel
e hoje me vejo nas suas retinas,
parte do seu doce mundo de mel.


Um poeminha, desses bem bobinhos e piticos; pois sou uma menina "prestimosa" (adoro essa palavra) e as obrigações me chamam.

Um bom fim de semana a todos nós, dessa vez com uma estranha animação...


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quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Me empurre, me ame,
me acenda, me engula,
cuspa em meu rosto,
me anule, me misture,
me sufoque, não me
toque, me reprise,
me conquiste, me bata,
me troque e me assuma,
me beije e me mata.


Arranque minha alma,
me atire de um prédio,
Destrua minha calma,
me jogue ao tédio,
rasgue minhas cartas,
devolva meu retrato,
ame minhas marcas
e não tente contato.


Controvérsias, falácias,
perca do juízo; são
coisas que me atormentam
e me mostram o paraíso...


"O Código Da Vinci" finalmente vai virar filme, com Ton Hanks no papel principal, já que o perfeito Hugh Jackman recusou o convite. Fiquei feliz com a notícia, espero que a produção faça jus ao livro, que é um dos melhores quejá li até hoje. É isso.


Você já se sentiu REALMENTE especial? Única? Insubstituível? AMADA?
Eu já...
Sabe quando 'alguém' diz que você ficou maravilhosa, mesmo quando tenha apenas cortado as pontinhas do cabelo?!?
Pois é...
Buí, é recíproco, você sabe. Te amo demais.

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sexta-feira, 12 de novembro de 2004

Menina poetisa
que brinca, sonha
no correr da brisa.
Pula e se machuca,
mas levanta e sempre
vai à luta.
Sonhos de cristal
se partem em mil pedaços,
ela se corta em seus
pontiagudos estilhaços.
Furou o dedinho, coitada,
num delírio profundo
quase eternamente acordada.
Menina poetisa
que chora, reclama
sozinha, caída na lama.
Onde ela andará agora?
À espera de sua estrela
no despertar da aurora.
Menina, poetisa, levanta!!!
Acorda, que o mundo é teu,
me encanta...
E com teu veneno, teus olhos
calados e sorriso incerto,
procure pela felicidade, pois
ela se encontra por perto.



(meu momento narcista) >>> Eu sei, eu sou foda...
E futuramente, cursando fotografia e fotojornalismo.


que certas pessoas tenham uma morte lenta e dolorosa o mais rapidamente possível.
Buí, sem palavras...
Close to me - The Cure.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Ele saiu mais cedo do escritório alegando consulta médica, tomou um táxi, pois seu Corsa estava na oficina, mas isso não era problema naquele dia em que ele acordara de tão bom humor, afinal, tinha coisas boas a fazer.
Sua aparência era da mais agradável possível, a barba meio por fazer lhe dava ares de cafajeste e os olhos escuros eram irresistíveis. Vamos chamá-lo de Caio, que contava com 28 anos.
Do outro lado da cidade, alguém de codinome Guilherme tomava banho após escolher minuciosamente uma roupa simples e confortável, na qual se sentia satisfatoriamente belo. Algumas gotas do perfume HOMEM e um sorriso de fazer parar as mais famosas passarelas; nos seus 32 anos, era indubitavelmente feliz.
Meia hora depois de dadas as instruções ao taxista, e Caio já se encontrava em seu destino, onde tomou o elevador que o levou até o oitavo andar de um prédio de classe média enquanto assoviava uma melodia encantadora.
Tocou a campanhia e foi recebido com um abraço caloroso, o qual retribuiu da mesma maneira. Os olhos se cruzaram, a ânsia era enorme; o beijo pedia a língua e as barbas se emaranharam. Então Caio e Guilherme se amaram ali mesmo, no sofá, no tapete, no quarto. Horas depois, tomaram um delicioso banho juntos, felizes, satisfeitos. Fora mais uma das vezes em que não faziam sexo, mas sim, amor.
E que o mundo lá fora arda no seu preconceito tosco e na sua hipocrisia...


1- Fato verídico com nomes trocados ;)
2- O importante é ser feliz, não importa por onde :P


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segunda-feira, 8 de novembro de 2004

Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm...


Há pouco tempo atrás, uma companheira virtual me disse algo que ficou marcado. Você é apaixonante, mas não se deixa apaixonar. Essa frase ficou martelando durante dias seguidos; enquanto eu questionava se havia mesmo alguma verdade nisso.
Percebi que realmente dificulto as coisas, não por vontade, mas talvez por defesa. Pessoas passaram pela minha vida e deixaram um saldo negativo sem tamanho; e sei que terceiros, quartos e quintos nada têm a ver com isso, mas no meu subconsciente a 'desgraça' toda ficou registrada, e daquele tempo em diante, tranquei as portas para possíveis novas perdas.
É verdade que não me encanto, não me entusiasmo, não crio expectativas. Salvo em raras exceções. Mas é verdade também que observo, peso, meço e considero, sim, afinal sou gente, sujeita a sentimentos 'feios' (que meigo!) e coisas admiráveis.
Já me disseram que escrevo certas coisas apenas por vaidade; que me mostro 'revoltada' apenas por ibope. E eu, claro, respondi com um sorriso indecifrável. Minha vaidade se limita à opinião do meu doce namorado, e o meu ibope está alto quando a minha auto-estima também está. Óbvio que a presença/palavras de algumas pessoas são altamente confortantes, mas isso, garanto, não me é essencial. Nunca fui narcisista, nem tenho um ego que precisa ser inflado à custa de terceiros. Mas, por mais fria que eu aparente ser nesse meu sistema de defesa, sou apenas uma pessoa que crê no amor, respeita as diferenças e espera pela amizade (algo que eu ainda não vi nem senti). E nessa minha maneira controversa, vou até onde meus limites me permitem, os desafio vez ou outra e preencho o meu espaço.
Acho que fugi um pouco do assunto inicial, mas é que minha irmã observou que poucas pessoas conhecem a v.a.n.e.s.s.i.n.h.a. , talvez essa seja a razão de 2 posts seguidos falando de mim.
Vaidade?? Não... Busco o auto-conhecimento através das palavras!
Não me deixo apaixonar?? Não é bem isso... Apenas espero pelo melhor momento.

E uma ótima semana a todos nós.

por subterfúgio imaginário
9 scream here



sexta-feira, 5 de novembro de 2004

A v.a.n.e.s.s.i.n.h.a. é uma pessoa muito crítica, mas que não suporta discussões simplórias e comentários pueris quando o assunto gera polêmica; extremamente enjoada para filmes, gosta de pouca coisa no cinema atual e é dona de um humor sarcástico à lá Renato Mendes, aliás, esse é seu charme.
Fanática por tudo que se relacione a Robert Smith, o cara de mais sex-appeal do sistema solar; mas vocês podem discordar, é claro.

Ela odeia baladas, odeia a palavra balada e ama astronomia/astrofísica e todos os mistérios e maravilhas do espaço. Gostaria de estudar a mente dos Seriall Killers, morar na Inglaterra (pois acha lindo o sotaque britânico) e imagina quantas belezas irá encontrar por lá, além de tomar o tradicional chá inglês em porcelanas igualmente inglesas (oh!)

Pessoas sem visão ou o mínimo de inteligência a tiram do sério; e raramente inicia uma conversa, pois se trata de alguém extremamente introspectiva e desconfiada.
Adora fazer maquiagens simulando cortes e ferimentos, adora coisas como The Wall, filosofia, corpo humano, teoria do caos, make up nos olhos, Rita Lee, underground, cemitérios e tinta nos cabelos.
Em contrapartida, odeia e amaldiçoa os machistas, feministas, falsa Wicca, aborto, hippies, futilidade em excesso e estereótipos.

Queria ter nascido na Alemanha em meados de 1840, pois assim seriam grandes suas chances de ter conhecido Nietzsche e, conseqüentemente, ter aprendido mais com ele.
Há cerca de 2 anos e meio largou a cocaína, mas a vontade de 'dar o último teco' ainda é enorme, e ela vence uma batalha todos os dias por causa disso.

Não suporta a idéia de que um ser "onipotente" exija o amor e a fidelidade absoluta de seus 'filhos'; descarta a possibilidade de apegar-se em qualquer uma dessas religiões chantagistas e contraditórias; e recusa-se a crer em algo que ela não sente. Enfim, para ela, Deus é apenas o amigo imaginário dos adultos.

Ela vive pela filhinha de 7 anos e pelo amor do seu doce namorado, o cara mais paciente e amável do mundo; mas ela merece, fala aí...

Discernimento nenhum, mas aplicabilidade total
Não tente entende-la, muito menos impressioná-la.

por subterfúgio imaginário
8 scream here



quinta-feira, 4 de novembro de 2004

Aqueles segundos que precedem a morte, onde a vida toda passa diante dos seus olhos; ele pensa, imóvel, nas coisas que deixou de fazer por pura e simples covardia.
O pé de jabuticaba e os constantes tombos lhe renderam algumas cicatrizes nos joelhos; o cheiro da chuva molhando a terra; as vezes em que rolava na grama e saía com o corpo pinicando... Sim, ele fora moleque um dia, mas quase nunca se lembrava disso; era adulto demais, sem planos, sonhos, utopias, enfim... Crescera e dera ouvido as pessoas 'importantes e sábias', queria ser como elas no passado, mas naquele momento tudo o que mais desejava era ter sido mais sonhador. Sete segundos, ele vê o cachorro lambendo suas mãos e a alegria que aquilo lhe dava; viu a esposa; como ela iria reagir? De joelhos o tempo passa, lenta e cruelmente; as batidas do coração ameaçam falhar, mas as lembranças insistem em passar correndo diante seus olhos.
A vida toda a gente gostaria de 'viver de verdade', mas só no momento da morte é que juraria fazer isso acaso Deus nos concedesse mais uns anos de existência.
Lembra o primeiro emprego, os primeiros tudos, vê lágrimas e sorrisos bem ali, na sua frente, e sabe que esse talvez será seu último minuto. Uma criança jogando bola, ela corre e abraça a mãe num gesto sublime de amor e gratidão. Seria ele, aquela criança? Nem se lembrava mais da última vez em que dissera palavras agradáveis a um ente querido.
A tristeza é tão grande que nem sobra lugar para o medo; indefectível e instantaneamente, ele suspira uma última vez, fecha os olhos e morre.



Vanessa está com seus cabelos ultra-vermelho-berrante e por tabela, pintou as madeixas de sua irmã amada - Natasha (17) - de roxo escarlate, o que deixou sua mãe extremamente furiosa, mas elas não se importam, afinal, são meninas felizes e agora
coloridas.

por subterfúgio imaginário
7 scream here



quarta-feira, 3 de novembro de 2004

O suor escorre têmporas abaixo, molhando e fazendo brilhar o rosto marcado por essa mistura insana de sentimentos; e sempre que ficava irritado, esse era o primeiro dos sintomas.
Avistou ao longe aquele que vinha procurando há tempos, apressou-se em tentar ordenar os pensamentos, afinal, aquela seria uma chance rara e não a desperdiçaria assim, por nada. O passado girava em sua cabeça e fazia com que a raiva crescesse a cada segundo; maldição; era impossível esquecer.
O que parece ser uma simples mágoa para uns, pode ser um grande transtorno para outros.
Agora ele corria em direção ao seu alvo, que estava agachado, de costas, indefeso, incapaz.
Bem perto, saca a arma e puxa o gatilho. Naquele barulhinho inconfundível, sua vítima vira-se devagar, olhos arregalados, fita o homem que o mantém na mira. Milhões de coisas passam por sua mente agora, e silenciosamente implora por misericórdia.


Agora, pense um pouco, não precisa me responder, mas...

Você prefereria estar no lugar de qual deles??? Do que vai matar, ou do que está prester a morrer???

por subterfúgio imaginário
12 scream here



sexta-feira, 29 de outubro de 2004

Alguém que não era muito comum; tinha lá seus defeitos ultracharmosos e o sorriso mais triste que já vi em vida. Alguém poético; alguém que conquistava tudo sem perceber nada.
Alguém calado, alguém insano, alguém de verdade. Alguém que me fez gostar de Nietzsche, Byron, Voltaire, Baudelaire, Goethe, violino... Alguém que me fez gostar de mim mesma.
Alguém contraditório, romântico, psicodélico, triste... Ele era mais que isso; ele era sensível, singelo, apaixonante, menino. Era um companheiro pra todas as horas, tinha um conceito lindo do que é amizade e não se contentava em apenas falar e sorrir juntos. Ele era alguém que dava tudo de si e pedia tão pouco dos outros. Aliás, ele quase que recusava a oferta dos outros. Não por arrogância ou auto-suficiência; mas por algo que eu ainda não sei bem como explicar, mas sempre soube aceitar e respeitar o que chamo de excentricidade.
Tudo isso porque ele era alguém que eu amava, alguém que segurava a minha mão e me fazia parar aos poucos quando a cabeça girava.
Ele era alguém que iria completar 27 anos hoje, mas teve a vida tão estupidamente interrompida... Ele era meu amigo, meu brother, meu irmão... Ele era alguém chamado Léo.
...se Deus é justo, então quem fez o julgamento?...

por subterfúgio imaginário
16 scream here



quinta-feira, 28 de outubro de 2004

E ontem foi uma daquelas noites bastante interessantes, em que você participa de uma palestra clichê contra as drogas, mas encontra pessoas surpreendentemente divertidas. E claro, no meu caso, nunca sei como interagir com elas.

Ontem também adquiri uma bandeira maravilhosa do Robert Smith, que na minha singela opinião, é o homem mais sexy do mundo. Não sei por que estou falando isso, já que ninguém concorda.

No mais, despeço-me agora, com uma poesia bem antiguinha, mas que eu gosto muito. Não sintam-se ofendidos com as palavras que ela traz, afinal, são apenas palavras.

Preciso fazer um layout novo, já enjoei desse.



BOA MENINA
Detesto essas coisas tolas
que eu escrevo, que eu sinto.
Ou quando choro no espelho
me borro, me corto, me pinto
de boa menina, fadinha do bem
mas é tudo mentira, não gosto,
não suporto nem tolero ninguém.


Vivo no meu lindo castelo;
doces, bexigas, e um príncipe;
uma pequena boneca e um lago
com belíssimos cisnes.
Mas não se iluda, não sou uma
princesa; sou uma criança má
que não quer a tua vil presença.
Enquanto o tempo passa meu coração
se endurece, minha alma vazia, chora
e se entristece.


Vai ser sempre assim, bem dessa
maneira, pois sou tão feliz em
meio à minha doce sujeira.

por subterfúgio imaginário
14 scream here



terça-feira, 26 de outubro de 2004

Passos largos, a respiração ofegante, visão turva, os pensamentos confusos. Evita o elevador, sobe as escadas, trôpega, sôfrega; por que diabos ninguém percebe essa tamanha perturbação?
Nos últimos meses aconteceram coisas que contribuíram para esse estado deplorável em que se encontra agora.
Talvez fosse melhor viver sem conhece-los, sem criar expectativas, porque no final, quase tudo é falso, pequeno, asqueroso.
Poucas pessoas valem a pena; raras pessoas lhe valiam a pena naquele fim de tarde em que subira os 18 andares de um prédio qualquer, para fugir de não se sabe o que.
Um paradoxo, falácia; erro de raciocínio. Era assim que se sentia, no pior dos significados.
Tão perto do parapeito, o vento sopra tão louco naqueles metros acima. A respiração se acalma, os ânimos se resfriam, os pensamentos são tão lentos agora.
Só queria encontrar alguém que tivesse um mundo ao menos cativante por detrás das pupilas.
Eles não deveriam construir prédios tão altos; é demasiado atraente para pessoas assim.

por subterfúgio imaginário
12 scream here